
AVISO: Desculpem o tamanho do post, mas li essa história e acho que vale super a pena eu postar ela aqui. Adorei, de verdade!
Trilha sonora: http://www.youtube.com/watch?v=cb06Euo-gbs
Miserable at best (Miserável ao máximo).
"Era a primeira garota que ele sentia realmente prazer por estar junto, parecia alguma droga que jogavam em sua corrente sanguínea quando ele a tocava."
Prólogo
- John? – Katie chegara à sala de aula com os olhos inchados e despertara John de seus pensamentos enquanto ele batucava alguma música em sua mesa.
- Ei, amor. – John se levantou e a puxou pela cintura, tirando os foninhos e dando-lhe o selinho mais demorado e doce que Katie já havia provado. – O que há? – Ele disse ainda segurando a cintura da garota contra a sua.
- Eu... Preciso te falar uma coisa. – Ela limpou a garganta e olhou para os lados, tentando ver se seu professor não havia chegado.
- O quê? – Ele a soltara e ela afastara um passo, limpando os olhos com a manga de sua blusa de frio. John engolira em seco e permanecera fitando até a garota criar coragem para falar.
- Eu vou me mudar. – Ela deixou as lágrimas ardidas caírem pela face e observou que o professor havia entrado na sala, porém todos estavam conversando.
- O... O... Quê? – John gaguejou enquanto se sentava e colocava a mão no peito. Um ano de namoro, eles iriam se formar naquele ano... Juntos. E agora tudo iria mudar.
- É. – Ela limpou os olhos novamente e sugou o ar. – Eu não quero, John.
- Eu... Não sei o que falar. – Uma pequena gota grossa saiu dos olhos de John, mas foi limpa logo após isso.
O professor mandou todos os alunos se sentarem, enquanto todos permaneceram sentados e prestando a atenção, Katie chorava de cabeça baixa e John permanecia em estado de choque. Era a primeira garota que ele sentia realmente prazer por estar junto, parecia alguma droga que jogavam em sua corrente sanguínea quando ele a tocava.
Fim do prólogo
-
Capítulo único.
Katie, don't cry, I know you're trying your hardest
Katie, não chore. Eu sei que você está tentando ao máximo.
- Meu pai disse que deixa eu vir para a formatura. – Ela disse suspirando e deixando algumas lágrimas cair. Seu pai era o grande culpado por ela se afastar de John e o que ele queria era fazê-la se sentir pelo menos um pouco confortável. John pegou as malas de Katie e a abraçou pela cintura enquanto saiam do quarto da garota em silêncio.
- Que bom. – Ele falou baixo, como se fosse um sussurro para si mesmo e sorriu para si mesmo também.
- Eu insisti para eu vir nos finais de semana, mas sabe como é... Hm... Mil milhas e tudo mais. – Ela engostou sua cabeça no peito de John enquanto desciam as escadas e este afagou seus cabelos com a mão livre das malas. Ficaram em silêncio até chegarem à imensa sala. A pequena irmã de Katie, Lizzie, estava completamente inconsolável por estar perdendo o melhor namorado que Katie havia arrumado, apesar de ser o único. Ela esticou os braços para cima e os olhos insistiam para que John a pegasse no colo. Ele sorriu sem graça, porque a menina já tinha seis anos, mas mesmo assim colocou as malas de Katie no chão e pegou Lizzie no colo.
Os pais de Katie, Marienne e Luke, olhavam maravilhados para o garoto de cabelos claros e olhos cor-de-mel, pele clara e com várias marcas de simpatia e de carisma pela sua face, seu corpo era o corpo de um adolescente normal, o Katie vira ali? O que todos aqueles garotos que pareciam deuses não tinham: sentimentos, nenhum medo de parecer frágil, nenhum medo de ser romântico e com uma inteligência adimirável. Katie tinha os cabelos pretos, lisos, em um corte simples, com uma franja bonita. Simples, era isso que eles eram: simples. Pena que agora tudo iria virar do avesso.
And the hardest part is letting go of the nights we shared.
E a parte mais difícil é deixar pra trás as noites que nós partilhamos.
Enquanto John balançava Lizzie em seus braços, observava cada detalhe da casa que ele nunca mais visitaria em noites chuvosas depois de um telefonema embaraçoso e desesperado da sua namorada que solicitava carinho e atenção porque seus pais haviam viajado.
Flashback
- Katie, abre a porta, eu acho que vou morrer afogado aqui de fora. – John gritava pelo fato da chuva estar bastante forte. Katie gargalhava enquanto descia as escadas com uma mistura de pavor e de prazer. Abriu a porta o mais rápido que pôde e se deparou com um garoto ensopado de olhos semi-serrados e se abraçando para tentar se aquecer, embora fosse improvável que ele tivesse algum sucesso.
- John, John. – A menina sorriu feliz e o puxou pela mão para dentro de casa. – Você veio. – Ela falou surpresa, apesar de que no fundo ela sabia que ele iria de qualquer forma.
- Claro. – Ele disse batendo os queixos. – Pode me dar uma toalha ou quer que eu morra de pneumonia? – Katie olhou para ele de olhos arregalados e disparou escada a cima para pegar a toalha. John permaneceu imóvel na sala enquanto Katie pegava um pijama de seu pai e uma toalha para o namorado. Segundos depois, Katie apareceu na sala novamente, tropeçando no tapete e caindo na gargalhada enquanto entregava as peças de roupas para o garoto que estava rindo também.
- Desastrada. – Ele falou em um tom abafado enquanto passava a toalha em seu rosto.
Foram horas de gargalhadas, de abraços quentes e aconchegantes no sofá enquanto o filme passava na sala, foram horas de planos e de muito amor. Horas e horas. Aquilo se repetia direto, pelo fato de que os pais de Katie estavam sempre viajando e John estava sempre ajudando a menina em seus desesperos noturnos.
Fim do flashback
- Bom, vamos? – O pai de Katie disse enquanto John colocava a pequena Lizzie no chão.
- É. – Katie falou baixinho, ninguém ouvira. Seus olhos inchados já não deixavam com que saíssem nenhuma lágrima sequer, pelo fato de que elas já haviam se secado, provavelmente. John abraçou a namorada pelos ombros e sussurrou em seu ouvido enquanto caminhavam até o portão de saída.
- Acho que nós conseguimos superar a distância. – Ela o olhou e sorriu assentindo com a cabeça.
- Também acho que sim. – Ele a puxara com força contra si e lhe dera um beijo urgente.
Depois de longas despedidas e de imensas promessas, como, ligar todos os dias, mandar cartas e e-mails e até mesmo, visitar; A família de Katie adentrou o carro e Luke foi dirigindo vagarosamente pela rua enquanto todos acenavam tristes ‘Adeus’ com o caminhão de mudança logo atrás.
Ocala is calling
Ocala está chamando
Ocala. Ocala. Era este o nome da cidade que Katie estava indo. Seus olhos estavam perdidos pela estrada enquanto seu pai dirigia em alta velocidade. A viagem seria longa e a tristeza a prolongaria mais ainda. Já John, permaneceu parado com a mão suspensa no ar por muitos minutos na Rua de Katie, o tempo suficiente para que seu braço doesse e para que as pessoas que passassem na rua pensassem que era um louco. Mas ele era realmente louco, louco por Katie, apenas isso. Um adeus. Ou seria um até logo? Nenhum dos dois, nem Katie e nem John, sabiam responder o que aconteceria com eles dali para frente.
And you know it's haunting but compared to your eyes, nothing shines quite as bright and when we look to the sky, it’s not mine, but I want it so.
E você sabe que isso é assustador, mas comparado aos seus olhos, nada brilha tanto. E quando nós olhamos para o céu, não é meu, mas eu quero tanto.
Adeus seria uma palavra dolorida até mesmo de se pronunciar. A falta do toque, das palavras sussurradas ao pé do ouvido, dos abraços, dos afagos, seria tão difícil de lidar sabendo que a mil milhas está a pessoa que eles mais amavam e nada seria igual antes. Nada.
John, naquele dia da partida de Katie, decidira que não iria voltar para casa tão cedo. Andou por quase toda a cidade, com as mãos no bolso, sentindo a brisa gelada da noite chegando e olhando para o céu. O céu tão lindo que ele prometera que se tivesse capacidade daria para Katie. O céu tão lindo que ele teria de atravessar para chegar aonde Katie estava indo.
Já Katie – que ainda estava na estrada – permanecera olhando a estrada, depois o céu, depois a estrada e depois o céu.
Os meses se passaram. O que era previsível aconteceu, Katie estava se deliciando com a nova vida ao lado de seus novos colegas de colegial e John permanecera triste. Era triste para John ver a felicidade de Katie – mesmo que fosse isso que ele queria ver, ele queria também pensar que ela estava triste por estar longe dele. Katie já não ligava todos os dias para John como no início e John era quem fazia isso. Katie já não chorava todas as noites enquanto observava o céu estrelado e lembrava do brilho dos olhos de John e John era quem fazia isso ao lembrar do brilho dos olhos de Katie. Era tão dolorido para ele tudo isso enquanto para ela – depois de quatro meses – já parecia estar sendo tão fácil, tão simples e tão indolor.
Let's not pretend you're alone tonight. (I know he's there)
Não vamos fingir que você está sozinha hoje. (Eu sei que ele está ai)
Era o dia de um baile rotineiro no colégio novo de Katie. Todos de Ocala estariam lá – ou pelo menos a maioria, já que era apenas uma pequena cidade. Katie estava linda, linda como nunca se sentia há tanto tempo, porque só John conseguia fazer com que ela se sentisse daquela maneira e naquele momento – a mil milhas de distância – ela estava se sentindo linda, longe de John, sem John e sem se lembrar de John. Ela permanecera dançando com suas novas amigas, Amy e Lucy, ambas lindas também. Katie não havia contado para John sobre o baile, já era tarde da noite quando seu pequeno aparelho de celular tocara.
- John. – Ela suspirou um pouco feliz e um pouco triste. Enquanto se dirigia, segurando levemente seu vestido, para uma sala silenciosa dentro do ginásio, onde alguns casais se beijavam e algumas pessoas bebiam. – Alô? – Ela disse com um sorriso delicado nos lábios se sentando no sofá vermelho que estava desocupado.
- Katie? – John disse com o maior sorriso do mundo, sentindo seu peito quente e seus lábios gelados. Ele ouvira a música ao fundo e se perguntou onde ela estava – mesmo que ele já não sentisse mais no direito de saber tudo que Katie fazia.
- Ei, John. – Nos primeiros segundos, Katie não havia reparado que um rapaz moreno que segurava um copo de bebida a olhava com certo desejo, porém logo depois de responder John, seu olhar se cruzou com o dele.
- Tudo bem? – Ele perguntou tentando manter a conversa normal que eles possuíam.
- Tu...do e com você? - John percebera certa estranheza na voz de Katie.
- Estou bem, só liguei para... Sabe, rotina. Então, depois te ligo novamente. – Ele soltou as palavras como se estivesse dizendo as palavras finais antes de um ladrão dar-lhe um tiro. Mas seria exatamente isso que lhe aconteceria dali a alguns dias, ele realmente sentiria que havia recebido um tiro. John desligou o telefone sem esperar que Katie lhe desse alguma resposta, ele conhecia “sua pequena” e sabia que ela estava fazendo algo enquanto ele estava tendo sua conversa casual com ela. Katie nem reparou que John havia desligado o telefone, só voltou a colocar seu aparelho na bolsa e se manteve sentada no sofá observando o garoto do outro lado da sala.
You're probably hanging out and making eyes. (While across the room, he stares)
Você provavelmente saiu pra se divertir e está paquerando. (Enquanto do outro lado da sala, ele a adimira).
Katie sentia seu coração pulsar forte em seu peito enquanto o garoto do outro lado da sala a admirava. Enquanto isso, John estava parado com seu celular em mãos e deitado em sua cama, pensando em Katie.
- Katie. – Ele chamava baixinho, sentindo as lágrimas borbulharem em seus olhos como se fosse um líquido ácido de tão ardidas que eram.
Katie havia se esquecido que John a conhecia muito bem até mesmo pelo seu tom de voz e por ter esquecido apenas se esqueceu de pensar se o havia machucado ou não, apenas permaneceu sentada no sofá vermelho, observando o rapaz de cabelos negros.
I bet he gets the nerve to walk the floor and ask my girl to dance, and she'll say yes.
Eu espero que ele tenha coragem para andar pelo salão e chamar minha garota pra dançar e ela dirá que sim.
John agora se sentara em sua cama, com a cabeça entre as mãos e balançando as pernas. A saudades o dilacerava – por mais que soasse gay e estranho, era a simples e pura verdade. Katie agora observava que o rapaz de cabelos negros, chamado Henry, estava vindo em sua direção, agora sem nenhuma bebida em suas mãos e com uma música romântica abafada ao fundo. Henry achara Katie extremamente linda e ele queria tanto dançar com ela, só estava esperando o momento certo – ou a música certo. Ele foi se aproximando a medida que a música se prolongava, John permanecia sentado em sua cama com o celular entre suas palmas. Henry agora se sentara ao lado de Katie e a olhava de perto. Traços como de uma boneca.
- Quer dançar? – Ele sussurrou para não atrapalhar os outros casais que já estavam embalados nos passos certos para a dança.
- Claro. – Ela sorriu encantada com a iniciativa do rapaz. Nem por um segundo ela se lembrou de John enquanto dava as mãos para Henry e sorria timidamente enquanto caminhavam para o meio da sala.
- Quer que eu guarde sua bolsa aqui? – Ele disse abrindo o smoking e mostrando o bolso que havia por dentro.
- Obrigada. – Ela disse entregando-lhe a sua carteira-bolsa. Eles pararam e ficaram se olhando nervosamente por alguns poucos segundos, até que Henry tomou coragem para encostar suas mãos na cintura da garota e puxá-la contra si, enquanto Katie entrelaçava seus dedos ao redor do pescoço do rapaz. Katie fechou seus olhos vagarosamente e Henry fez o mesmo. Ficaram assim, se balançando de um lado para o outro por algum tempo. Até que um toque de celular atrapalhou tudo e quebrou o clima. Ela suspirou enquanto Henry tirava o celular de seu bolso e lhe entregava. Katie apertara o botão para atender e logo após Henry disse com a voz doce.
- Rápido, antes que a música acabe. – Era John do outro lado da linha. Ele ouvira tudo. Tudo. Um tiro certeiro.
- Oi, John. – Katie falou tentando transparecer normalidade. Ele permanecera em silêncio, ainda sentindo a voz do rapaz ecoarem em seus ouvidos. – John? – Ela chamara agora um pouco preocupada.
Because these words are never easier for me to say or her to second guess
Porque essas palavras nunca são fáceis pra mim dizer ou para ela adivinhar.
- Hã. – John limpara a garganta. – Oi. – Ele disse sentindo as ácidas lágrimas borbulharem em seus olhos novamente. – Desculpa ter ligado novamente.
- Não, não tem que se desculpar. – Ela passou as mãos pelos fios negros de cabelo e sorriu para Henry.
- Tenho. Você deve estar ocupada. Igual você disse, anda estudando muito, não é? – Ele disse com um tom sarcástico.
- É. – Agora Katie estava sentindo fincadas por toda a barriga. Só naquele momento ela percebera que estava mentindo para seu namorado – ou seria ex? – e que havia dito que naquela noite ficaria estudando com o seu pai para a invisível prova de química.
- Como vão os estudos? – John passou uma mão com toda a força em seu rosto, como se estivesse se obrigando a parar de chorar antes que Katie percebesse.
- John... – Ela suspirou. – Eu não estou estudando. – Henry permaneceu parado a olhando com o sorriso angelical.
- Ah... – Foi tudo que ele disse e deu uma leve fungada para tentar sugar as lágrimas de volta para dentro de si.
- Não, John. Não me diga que... – Ela iria dizer algo, mas não tinha o que dizer. Agora sim ela vira o sofrimento que estava causando à John.
But I guess that I can live without you but without you I'll be miserable at best.
Mas eu acho que eu posso viver sem você, mas sem você eu serei miserável ao máximo.
- Katie. – John agora ria ironicamente. – Não digo mesmo.
- Ok. – Ela respondeu sem jeito pela forma rude que John a tratara.
- Acho que seu amigo está apressado para... Hm... Fazer alguma coisa antes que a música acabe. – Soltou as palavras rapidamente.
- John... – Katie chamava suplicante.
- Katie... Vá se divertir. – Ele forçou uma voz doce agora, sentindo uma faca passar por sua garganta.
- Tu-do bem. – Ela respondeu vagarosamente.
- E ah, a partir de hoje, eu não te ligo... Você não me liga e tudo fica bem. – Ele complementou. Aquilo foi um choque para Katie.
- Mas, John... – Ela chamou suplicante novamente.
- Sem ‘mas’. Acho que esse tempo longe já foi o suficiente pra aprender a viver sem você. - Soltou essas palavras sem pensar. Ele sabia que se fosse viver sem Katie seria na tristeza mais profunda possível, por que dizer tais palavras se no fundo ele sabia como se sentiria quando desligasse o telefone?
- Tudo bem. – Agora Katie tentou manter a voz firme. Uma mistura de sentimentos estava pulando em sua cabeça, ela não sabia se sentiria alívio ou tristeza.
O telefone foi desligado. Um adeus definitivo – será?. Uma maldita distância.
You're all I hoped I'd find in every single way and everything I could give is everything you couldn't take (…)
Você é tudo que eu esperava encontrar em todos os sentidos. E tudo que eu pude dar foi tudo o que você não pôde receber. (...)
John desligou o telefone e se afundou em lágrimas. Lágrimas que ardiam.
Katie desligou o telefone e permaneceu imóvel. Ela queria chorar, mas não conseguia. Henry a puxou para perto e lhe abraçou como se soubesse tudo que estava acontecendo e era nada mais e nada menos que um desconhecido que havia entrado há dez minutos na vida de Katie.
Flashback
- É para sempre? – Katie, de pijama rosa claro e pantufas enormes, perguntava ofegante enquanto pulava como uma criança em cima de sua cama.
- Sempre. – John disse enquanto olhava para cima e permanecia deitado na cama da garota com seus braços atrás de sua cabeça.
- Sempre, sempre? – Katie perguntou com uma voz de bebê e caiu com tudo do lado de John que a puxou contra si e colou suas bocas.
- Sempre. – Ele falou enquanto mordia levemente a boca da garota.
Fim do flashback
Durou tão pouco a eternidade de ambos, tão pouco.
Epílogo
Paula Sant'anna.
- Ei, amor. – John se levantou e a puxou pela cintura, tirando os foninhos e dando-lhe o selinho mais demorado e doce que Katie já havia provado. – O que há? – Ele disse ainda segurando a cintura da garota contra a sua.
- Eu... Preciso te falar uma coisa. – Ela limpou a garganta e olhou para os lados, tentando ver se seu professor não havia chegado.
- O quê? – Ele a soltara e ela afastara um passo, limpando os olhos com a manga de sua blusa de frio. John engolira em seco e permanecera fitando até a garota criar coragem para falar.
- Eu vou me mudar. – Ela deixou as lágrimas ardidas caírem pela face e observou que o professor havia entrado na sala, porém todos estavam conversando.
- O... O... Quê? – John gaguejou enquanto se sentava e colocava a mão no peito. Um ano de namoro, eles iriam se formar naquele ano... Juntos. E agora tudo iria mudar.
- É. – Ela limpou os olhos novamente e sugou o ar. – Eu não quero, John.
- Eu... Não sei o que falar. – Uma pequena gota grossa saiu dos olhos de John, mas foi limpa logo após isso.
O professor mandou todos os alunos se sentarem, enquanto todos permaneceram sentados e prestando a atenção, Katie chorava de cabeça baixa e John permanecia em estado de choque. Era a primeira garota que ele sentia realmente prazer por estar junto, parecia alguma droga que jogavam em sua corrente sanguínea quando ele a tocava.
Fim do prólogo
-
Capítulo único.
Katie, don't cry, I know you're trying your hardest
Katie, não chore. Eu sei que você está tentando ao máximo.
- Meu pai disse que deixa eu vir para a formatura. – Ela disse suspirando e deixando algumas lágrimas cair. Seu pai era o grande culpado por ela se afastar de John e o que ele queria era fazê-la se sentir pelo menos um pouco confortável. John pegou as malas de Katie e a abraçou pela cintura enquanto saiam do quarto da garota em silêncio.
- Que bom. – Ele falou baixo, como se fosse um sussurro para si mesmo e sorriu para si mesmo também.
- Eu insisti para eu vir nos finais de semana, mas sabe como é... Hm... Mil milhas e tudo mais. – Ela engostou sua cabeça no peito de John enquanto desciam as escadas e este afagou seus cabelos com a mão livre das malas. Ficaram em silêncio até chegarem à imensa sala. A pequena irmã de Katie, Lizzie, estava completamente inconsolável por estar perdendo o melhor namorado que Katie havia arrumado, apesar de ser o único. Ela esticou os braços para cima e os olhos insistiam para que John a pegasse no colo. Ele sorriu sem graça, porque a menina já tinha seis anos, mas mesmo assim colocou as malas de Katie no chão e pegou Lizzie no colo.
Os pais de Katie, Marienne e Luke, olhavam maravilhados para o garoto de cabelos claros e olhos cor-de-mel, pele clara e com várias marcas de simpatia e de carisma pela sua face, seu corpo era o corpo de um adolescente normal, o Katie vira ali? O que todos aqueles garotos que pareciam deuses não tinham: sentimentos, nenhum medo de parecer frágil, nenhum medo de ser romântico e com uma inteligência adimirável. Katie tinha os cabelos pretos, lisos, em um corte simples, com uma franja bonita. Simples, era isso que eles eram: simples. Pena que agora tudo iria virar do avesso.
And the hardest part is letting go of the nights we shared.
E a parte mais difícil é deixar pra trás as noites que nós partilhamos.
Enquanto John balançava Lizzie em seus braços, observava cada detalhe da casa que ele nunca mais visitaria em noites chuvosas depois de um telefonema embaraçoso e desesperado da sua namorada que solicitava carinho e atenção porque seus pais haviam viajado.
Flashback
- Katie, abre a porta, eu acho que vou morrer afogado aqui de fora. – John gritava pelo fato da chuva estar bastante forte. Katie gargalhava enquanto descia as escadas com uma mistura de pavor e de prazer. Abriu a porta o mais rápido que pôde e se deparou com um garoto ensopado de olhos semi-serrados e se abraçando para tentar se aquecer, embora fosse improvável que ele tivesse algum sucesso.
- John, John. – A menina sorriu feliz e o puxou pela mão para dentro de casa. – Você veio. – Ela falou surpresa, apesar de que no fundo ela sabia que ele iria de qualquer forma.
- Claro. – Ele disse batendo os queixos. – Pode me dar uma toalha ou quer que eu morra de pneumonia? – Katie olhou para ele de olhos arregalados e disparou escada a cima para pegar a toalha. John permaneceu imóvel na sala enquanto Katie pegava um pijama de seu pai e uma toalha para o namorado. Segundos depois, Katie apareceu na sala novamente, tropeçando no tapete e caindo na gargalhada enquanto entregava as peças de roupas para o garoto que estava rindo também.
- Desastrada. – Ele falou em um tom abafado enquanto passava a toalha em seu rosto.
Foram horas de gargalhadas, de abraços quentes e aconchegantes no sofá enquanto o filme passava na sala, foram horas de planos e de muito amor. Horas e horas. Aquilo se repetia direto, pelo fato de que os pais de Katie estavam sempre viajando e John estava sempre ajudando a menina em seus desesperos noturnos.
Fim do flashback
- Bom, vamos? – O pai de Katie disse enquanto John colocava a pequena Lizzie no chão.
- É. – Katie falou baixinho, ninguém ouvira. Seus olhos inchados já não deixavam com que saíssem nenhuma lágrima sequer, pelo fato de que elas já haviam se secado, provavelmente. John abraçou a namorada pelos ombros e sussurrou em seu ouvido enquanto caminhavam até o portão de saída.
- Acho que nós conseguimos superar a distância. – Ela o olhou e sorriu assentindo com a cabeça.
- Também acho que sim. – Ele a puxara com força contra si e lhe dera um beijo urgente.
Depois de longas despedidas e de imensas promessas, como, ligar todos os dias, mandar cartas e e-mails e até mesmo, visitar; A família de Katie adentrou o carro e Luke foi dirigindo vagarosamente pela rua enquanto todos acenavam tristes ‘Adeus’ com o caminhão de mudança logo atrás.
Ocala is calling
Ocala está chamando
Ocala. Ocala. Era este o nome da cidade que Katie estava indo. Seus olhos estavam perdidos pela estrada enquanto seu pai dirigia em alta velocidade. A viagem seria longa e a tristeza a prolongaria mais ainda. Já John, permaneceu parado com a mão suspensa no ar por muitos minutos na Rua de Katie, o tempo suficiente para que seu braço doesse e para que as pessoas que passassem na rua pensassem que era um louco. Mas ele era realmente louco, louco por Katie, apenas isso. Um adeus. Ou seria um até logo? Nenhum dos dois, nem Katie e nem John, sabiam responder o que aconteceria com eles dali para frente.
And you know it's haunting but compared to your eyes, nothing shines quite as bright and when we look to the sky, it’s not mine, but I want it so.
E você sabe que isso é assustador, mas comparado aos seus olhos, nada brilha tanto. E quando nós olhamos para o céu, não é meu, mas eu quero tanto.
Adeus seria uma palavra dolorida até mesmo de se pronunciar. A falta do toque, das palavras sussurradas ao pé do ouvido, dos abraços, dos afagos, seria tão difícil de lidar sabendo que a mil milhas está a pessoa que eles mais amavam e nada seria igual antes. Nada.
John, naquele dia da partida de Katie, decidira que não iria voltar para casa tão cedo. Andou por quase toda a cidade, com as mãos no bolso, sentindo a brisa gelada da noite chegando e olhando para o céu. O céu tão lindo que ele prometera que se tivesse capacidade daria para Katie. O céu tão lindo que ele teria de atravessar para chegar aonde Katie estava indo.
Já Katie – que ainda estava na estrada – permanecera olhando a estrada, depois o céu, depois a estrada e depois o céu.
Os meses se passaram. O que era previsível aconteceu, Katie estava se deliciando com a nova vida ao lado de seus novos colegas de colegial e John permanecera triste. Era triste para John ver a felicidade de Katie – mesmo que fosse isso que ele queria ver, ele queria também pensar que ela estava triste por estar longe dele. Katie já não ligava todos os dias para John como no início e John era quem fazia isso. Katie já não chorava todas as noites enquanto observava o céu estrelado e lembrava do brilho dos olhos de John e John era quem fazia isso ao lembrar do brilho dos olhos de Katie. Era tão dolorido para ele tudo isso enquanto para ela – depois de quatro meses – já parecia estar sendo tão fácil, tão simples e tão indolor.
Let's not pretend you're alone tonight. (I know he's there)
Não vamos fingir que você está sozinha hoje. (Eu sei que ele está ai)
Era o dia de um baile rotineiro no colégio novo de Katie. Todos de Ocala estariam lá – ou pelo menos a maioria, já que era apenas uma pequena cidade. Katie estava linda, linda como nunca se sentia há tanto tempo, porque só John conseguia fazer com que ela se sentisse daquela maneira e naquele momento – a mil milhas de distância – ela estava se sentindo linda, longe de John, sem John e sem se lembrar de John. Ela permanecera dançando com suas novas amigas, Amy e Lucy, ambas lindas também. Katie não havia contado para John sobre o baile, já era tarde da noite quando seu pequeno aparelho de celular tocara.
- John. – Ela suspirou um pouco feliz e um pouco triste. Enquanto se dirigia, segurando levemente seu vestido, para uma sala silenciosa dentro do ginásio, onde alguns casais se beijavam e algumas pessoas bebiam. – Alô? – Ela disse com um sorriso delicado nos lábios se sentando no sofá vermelho que estava desocupado.
- Katie? – John disse com o maior sorriso do mundo, sentindo seu peito quente e seus lábios gelados. Ele ouvira a música ao fundo e se perguntou onde ela estava – mesmo que ele já não sentisse mais no direito de saber tudo que Katie fazia.
- Ei, John. – Nos primeiros segundos, Katie não havia reparado que um rapaz moreno que segurava um copo de bebida a olhava com certo desejo, porém logo depois de responder John, seu olhar se cruzou com o dele.
- Tudo bem? – Ele perguntou tentando manter a conversa normal que eles possuíam.
- Tu...do e com você? - John percebera certa estranheza na voz de Katie.
- Estou bem, só liguei para... Sabe, rotina. Então, depois te ligo novamente. – Ele soltou as palavras como se estivesse dizendo as palavras finais antes de um ladrão dar-lhe um tiro. Mas seria exatamente isso que lhe aconteceria dali a alguns dias, ele realmente sentiria que havia recebido um tiro. John desligou o telefone sem esperar que Katie lhe desse alguma resposta, ele conhecia “sua pequena” e sabia que ela estava fazendo algo enquanto ele estava tendo sua conversa casual com ela. Katie nem reparou que John havia desligado o telefone, só voltou a colocar seu aparelho na bolsa e se manteve sentada no sofá observando o garoto do outro lado da sala.
You're probably hanging out and making eyes. (While across the room, he stares)
Você provavelmente saiu pra se divertir e está paquerando. (Enquanto do outro lado da sala, ele a adimira).
Katie sentia seu coração pulsar forte em seu peito enquanto o garoto do outro lado da sala a admirava. Enquanto isso, John estava parado com seu celular em mãos e deitado em sua cama, pensando em Katie.
- Katie. – Ele chamava baixinho, sentindo as lágrimas borbulharem em seus olhos como se fosse um líquido ácido de tão ardidas que eram.
Katie havia se esquecido que John a conhecia muito bem até mesmo pelo seu tom de voz e por ter esquecido apenas se esqueceu de pensar se o havia machucado ou não, apenas permaneceu sentada no sofá vermelho, observando o rapaz de cabelos negros.
I bet he gets the nerve to walk the floor and ask my girl to dance, and she'll say yes.
Eu espero que ele tenha coragem para andar pelo salão e chamar minha garota pra dançar e ela dirá que sim.
John agora se sentara em sua cama, com a cabeça entre as mãos e balançando as pernas. A saudades o dilacerava – por mais que soasse gay e estranho, era a simples e pura verdade. Katie agora observava que o rapaz de cabelos negros, chamado Henry, estava vindo em sua direção, agora sem nenhuma bebida em suas mãos e com uma música romântica abafada ao fundo. Henry achara Katie extremamente linda e ele queria tanto dançar com ela, só estava esperando o momento certo – ou a música certo. Ele foi se aproximando a medida que a música se prolongava, John permanecia sentado em sua cama com o celular entre suas palmas. Henry agora se sentara ao lado de Katie e a olhava de perto. Traços como de uma boneca.
- Quer dançar? – Ele sussurrou para não atrapalhar os outros casais que já estavam embalados nos passos certos para a dança.
- Claro. – Ela sorriu encantada com a iniciativa do rapaz. Nem por um segundo ela se lembrou de John enquanto dava as mãos para Henry e sorria timidamente enquanto caminhavam para o meio da sala.
- Quer que eu guarde sua bolsa aqui? – Ele disse abrindo o smoking e mostrando o bolso que havia por dentro.
- Obrigada. – Ela disse entregando-lhe a sua carteira-bolsa. Eles pararam e ficaram se olhando nervosamente por alguns poucos segundos, até que Henry tomou coragem para encostar suas mãos na cintura da garota e puxá-la contra si, enquanto Katie entrelaçava seus dedos ao redor do pescoço do rapaz. Katie fechou seus olhos vagarosamente e Henry fez o mesmo. Ficaram assim, se balançando de um lado para o outro por algum tempo. Até que um toque de celular atrapalhou tudo e quebrou o clima. Ela suspirou enquanto Henry tirava o celular de seu bolso e lhe entregava. Katie apertara o botão para atender e logo após Henry disse com a voz doce.
- Rápido, antes que a música acabe. – Era John do outro lado da linha. Ele ouvira tudo. Tudo. Um tiro certeiro.
- Oi, John. – Katie falou tentando transparecer normalidade. Ele permanecera em silêncio, ainda sentindo a voz do rapaz ecoarem em seus ouvidos. – John? – Ela chamara agora um pouco preocupada.
Because these words are never easier for me to say or her to second guess
Porque essas palavras nunca são fáceis pra mim dizer ou para ela adivinhar.
- Hã. – John limpara a garganta. – Oi. – Ele disse sentindo as ácidas lágrimas borbulharem em seus olhos novamente. – Desculpa ter ligado novamente.
- Não, não tem que se desculpar. – Ela passou as mãos pelos fios negros de cabelo e sorriu para Henry.
- Tenho. Você deve estar ocupada. Igual você disse, anda estudando muito, não é? – Ele disse com um tom sarcástico.
- É. – Agora Katie estava sentindo fincadas por toda a barriga. Só naquele momento ela percebera que estava mentindo para seu namorado – ou seria ex? – e que havia dito que naquela noite ficaria estudando com o seu pai para a invisível prova de química.
- Como vão os estudos? – John passou uma mão com toda a força em seu rosto, como se estivesse se obrigando a parar de chorar antes que Katie percebesse.
- John... – Ela suspirou. – Eu não estou estudando. – Henry permaneceu parado a olhando com o sorriso angelical.
- Ah... – Foi tudo que ele disse e deu uma leve fungada para tentar sugar as lágrimas de volta para dentro de si.
- Não, John. Não me diga que... – Ela iria dizer algo, mas não tinha o que dizer. Agora sim ela vira o sofrimento que estava causando à John.
But I guess that I can live without you but without you I'll be miserable at best.
Mas eu acho que eu posso viver sem você, mas sem você eu serei miserável ao máximo.
- Katie. – John agora ria ironicamente. – Não digo mesmo.
- Ok. – Ela respondeu sem jeito pela forma rude que John a tratara.
- Acho que seu amigo está apressado para... Hm... Fazer alguma coisa antes que a música acabe. – Soltou as palavras rapidamente.
- John... – Katie chamava suplicante.
- Katie... Vá se divertir. – Ele forçou uma voz doce agora, sentindo uma faca passar por sua garganta.
- Tu-do bem. – Ela respondeu vagarosamente.
- E ah, a partir de hoje, eu não te ligo... Você não me liga e tudo fica bem. – Ele complementou. Aquilo foi um choque para Katie.
- Mas, John... – Ela chamou suplicante novamente.
- Sem ‘mas’. Acho que esse tempo longe já foi o suficiente pra aprender a viver sem você. - Soltou essas palavras sem pensar. Ele sabia que se fosse viver sem Katie seria na tristeza mais profunda possível, por que dizer tais palavras se no fundo ele sabia como se sentiria quando desligasse o telefone?
- Tudo bem. – Agora Katie tentou manter a voz firme. Uma mistura de sentimentos estava pulando em sua cabeça, ela não sabia se sentiria alívio ou tristeza.
O telefone foi desligado. Um adeus definitivo – será?. Uma maldita distância.
You're all I hoped I'd find in every single way and everything I could give is everything you couldn't take (…)
Você é tudo que eu esperava encontrar em todos os sentidos. E tudo que eu pude dar foi tudo o que você não pôde receber. (...)
John desligou o telefone e se afundou em lágrimas. Lágrimas que ardiam.
Katie desligou o telefone e permaneceu imóvel. Ela queria chorar, mas não conseguia. Henry a puxou para perto e lhe abraçou como se soubesse tudo que estava acontecendo e era nada mais e nada menos que um desconhecido que havia entrado há dez minutos na vida de Katie.
Flashback
- É para sempre? – Katie, de pijama rosa claro e pantufas enormes, perguntava ofegante enquanto pulava como uma criança em cima de sua cama.
- Sempre. – John disse enquanto olhava para cima e permanecia deitado na cama da garota com seus braços atrás de sua cabeça.
- Sempre, sempre? – Katie perguntou com uma voz de bebê e caiu com tudo do lado de John que a puxou contra si e colou suas bocas.
- Sempre. – Ele falou enquanto mordia levemente a boca da garota.
Fim do flashback
Durou tão pouco a eternidade de ambos, tão pouco.
Epílogo
Amores perfeitos não existem. John e Katie foram as provas mais concretas disso. O adeus estava dado definitivamente. Mais um livro fechado. Mais uma história que estava fadada para dar certo, que por um imprevisto do destino deu errado. John permaneceu se sentindo “miserável” por muito tempo. Todos se sentiriam se estivessem no lugar dele.
O fim de um relacionamento pode machucar qualquer pessoa. Machucou John e ao mesmo tempo estava machucando milhares de pessoas ao redor do mundo que passavam pela mesma situação.
A falta dói, a falta dilacera e corroí, mas depois de um tempo todos acostumam. Todos descobrem que talvez a vida apenas estava mostrando de uma maneira triste que aquilo não era o melhor para o casal.
John andou para um caminho, Katie andou para outro. Eram caminhos opostos, mas ainda sim, John conseguia ver Katie longe. Ainda sim ele tentava enxergar em que ponto seu caminho se cruzaria com o de Katie novamente, até que se cansou de tanto procurar e de não ver nada. Só ver Katie sendo feliz em sua nova vida e permanecer triste em sua vida de sempre. Era isso. Depois de meses e meses, ele se cansou. Ele não mudou, apenas se acostumou à situação que estava sendo obrigado a lidar. Já Katie, muitas vezes se arrependia por não ter ligado para John em alguns momentos ou de não ter tido coragem para dizer que sentia a falta dele. Ela realmente sentia, só que era tarde para sentir qualquer coisa.
Depois de mais alguns meses, John sentiu seu coração palpitar com uma carta de Katie que havia chegado certa vez. Mas era algo normal e de se esperar. A carta dizia:
“Desculpa, eu sei que não faz sentido te escrever agora e já faz tempo desde que esse sentido sumiu. Por minha culpa. Mas é que hoje tem tanta gente aqui e ninguém me vê... Você me viu num momento desses e é do seu olhar que eu sinto falta. Do mundo parando só pra você ser meu.
Saudades, Katie.”
O coração palpitou, porém logo depois ele se lembrou de tudo que havia acontecido nos últimos meses, então em questão de segundos, o pequeno papel branco estava embolado e colocado no fundo de uma gaveta, para que dali a alguns anos ele o encontrasse e se lembrasse de como era boa aquela época – apesar dos sofrimentos.
Lembrar. Lembrar. Era isso que iria acontecer: eles iriam apenas se lembrar.
Tudo passa, as lembranças – boas e ruins - ficam.
FIM.
O fim de um relacionamento pode machucar qualquer pessoa. Machucou John e ao mesmo tempo estava machucando milhares de pessoas ao redor do mundo que passavam pela mesma situação.
A falta dói, a falta dilacera e corroí, mas depois de um tempo todos acostumam. Todos descobrem que talvez a vida apenas estava mostrando de uma maneira triste que aquilo não era o melhor para o casal.
John andou para um caminho, Katie andou para outro. Eram caminhos opostos, mas ainda sim, John conseguia ver Katie longe. Ainda sim ele tentava enxergar em que ponto seu caminho se cruzaria com o de Katie novamente, até que se cansou de tanto procurar e de não ver nada. Só ver Katie sendo feliz em sua nova vida e permanecer triste em sua vida de sempre. Era isso. Depois de meses e meses, ele se cansou. Ele não mudou, apenas se acostumou à situação que estava sendo obrigado a lidar. Já Katie, muitas vezes se arrependia por não ter ligado para John em alguns momentos ou de não ter tido coragem para dizer que sentia a falta dele. Ela realmente sentia, só que era tarde para sentir qualquer coisa.
Depois de mais alguns meses, John sentiu seu coração palpitar com uma carta de Katie que havia chegado certa vez. Mas era algo normal e de se esperar. A carta dizia:
“Desculpa, eu sei que não faz sentido te escrever agora e já faz tempo desde que esse sentido sumiu. Por minha culpa. Mas é que hoje tem tanta gente aqui e ninguém me vê... Você me viu num momento desses e é do seu olhar que eu sinto falta. Do mundo parando só pra você ser meu.
Saudades, Katie.”
O coração palpitou, porém logo depois ele se lembrou de tudo que havia acontecido nos últimos meses, então em questão de segundos, o pequeno papel branco estava embolado e colocado no fundo de uma gaveta, para que dali a alguns anos ele o encontrasse e se lembrasse de como era boa aquela época – apesar dos sofrimentos.
Lembrar. Lembrar. Era isso que iria acontecer: eles iriam apenas se lembrar.
Tudo passa, as lembranças – boas e ruins - ficam.
FIM.
Paula Sant'anna.
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